
Certo dia, Cuidado, ao atravessar um rio, viu um pouco de argila. Cuidadosamente começou a modelar a figura humana. E, enquanto meditava sobre o que havia feito, apareceu Júpiter, o deus do céu. Cuidado pediu-lhe que soprasse nele o espírito. Júpiter acedeu prazerosamente. Mas quando Cuidado quis colocar o seu próprio nome à criatura que havia moldado, Júpiter lho proibiu, exigindo-lhe que lhe pusesse o seu nome. Enquanto os dois discutiam, a Terra ergueu-se e manifestou o desejo de dar o nome dela à criatura plasmada por Cuidado, pois esta fora feita com parte do seu corpo. Pediram, então, a Saturno (deus do tempo) que fosse o árbitro. Ele tomou a seguinte decisão que parece a todos justa: Já que você, Júpiter, lhe deu o espírito, receberá este espírito na hora da morte; e já que você, Terra, deu-lhe o corpo, receberá, depois da morte, o corpo. Mas uma vez que Cuidado foi quem amoldou a criatura, esta ficará na sua posse enquanto viver. E já que vocês discutem acerca do nome a ser-lhe dado, eu quero que seja chamada Homo, isto é, feito de húmus da terra.
TEXTO: Boff, Leonardo. São Francisco de Assis: Ternura e Vigor - 12 ed.- Petrópolis, RJ: Vozes, 2009. p. 37. IMAGEM: Michelangelo, "l'Esclave mourant", 1513-1515, Louvre, Paris. .
Nenhum comentário:
Postar um comentário